Sunday, October 28, 2012

13ª Mostra Cinema Francês




Tardiamente publicito este evento que tanto me apraz! A 13ª Mostra do Cinema Francês arrancou em Lisboa em 4 Outubro e terminará em Guimarães - Capital Europeia da Cultura 2012 - em 04 Novembro 2012. Almada, Faro, Porto, Coimbra e Guimarães são portanto as cidades que têm o privilégio de assistir a uma mostra que no nossso país tem um público sempre muito atento. 

Já em 2009 escrevera sobre a 10ª Mostra do Cinema Francês no Porto que foi dedicada a Agnès Varda. Eu adoro cinema! E a filmografia francesa é meu lugar de culto!

A organização está a cargo do Institut Français du Portugal e tem este ano como 'madrinha', a actriz portuguesa Maria de Medeiros. 52 filmes estão a ser exibidos, dos quais 20 em antestreia nacional.


Arrancou em Lisboa com a comédia Paulette de Jérôme Enrico, em antestreia mundial e o encerramento terá também lugar na capital com a antestreia nacional do filme de Jacques Audiard De Rouille et d'Os com a conceituada e internacional actriz Marion Cotillard.

No Porto, está a decorrer no Teatro Rivoli, desde 22 Outubro e termina hoje, 28 Outubro, com três sessões. A consultar programação aqui


Les Destinées Sentimentales | Olivier Assayas

 O Festival conta ainda com uma homenagem ao realizador Olivier Assayas e uma retrospectiva sobre a obra do cineasta Jacques Audiard. 

No que concerne às inquietações e a realidade social que a organização fez questão de salientar, destaco Indignados, do realizador Tony Gatlif, inspirado em "Indignai-vos", de Stéphane Hessel, com imagens de protestos em Espanha, França e Grécia.

Também documentário Portugal, os Caminhos da Incerteza, feito por François Manceaux, em parceria com a SIC Notícias ao longo de um ano, entre 5 de outubro de 2010 e 5 de outubro de 2011 será apresentado.



Maria de Medeiros, como madrinha do festival,  escolheu seis filmes que realizou ou em que participou: Três Irmãos (1994), de Teresa Villaverde, Capitães de Abril (2000) e À l'Abri de la Tempête (2010), de Camille Brottes Beaulieu.

O público português poderia escolher o melhor de dez filmes franceses em competição, entre os quais Captive, de Brillante Mendoza, com Isabelle Huppert, Frango com Ameixas, de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, Paulette, de Jérôme Enrico, e Sur la Piste du Marsupilami, de Alain Chabat, a partir de uma banda desenhada de Spirou. O vencedor foi Paulette!

Não poderia deixar de referir o ciclo Universo de Animação, uma arte que admiro  pela criatividade e poética. A consultar a vasta programação.

Alguns dos filmes que espero ver em circuito comercial:


L'Art d'Aimer, "uma comédia hilariante e original, sobre a complexa arte de amar",   de Emmanuel Mouret com o actor François Cluzet, excelente interpretação em Intouchables.



Poulet aux prûnes, "Música e vida entrelaçados no tapete de um conto persa dos anos 50. Tragédia, muito humor, poesia e exotismo num magnífico hino à Vida", de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud (já em exibição).


De Rouille e d'Os, o último filme de Jacques Audiard, "Poderoso! Perturbador! Poético! A emoção em estado puro com um par de actores em estado de graça".


Parlez-moi de vous"tantas respostas de amor para os outros e nenhuma para si própria. A história de uma mulher que tarda em ouvir-se", de Pierre Pinaud.



G-S

Fragmentos Culturais

28.10.2012
Copyright © 2012-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®

Referência:

13ª Mostra do Cinema Francês | Institut Français du Portugal
http://www.festadocinemafrances.com/13a/

Saturday, October 20, 2012

Manuel António Pina: tributo




Manuel António Pina
Fotografia: Alfredo Cunha



Manuel António Pina morreu, Jornalista, tradutor, professor, cronista, Poeta. Galardoado com o Prémio Camões 2011. Traduzido em vários países. Muitos dos seus livros estão esgotados por reticências do autor.

"Tenho muita dificuldade em aceitar reedições. Provavelmente sim, as editoras vão querer. Mas eu ofereço alguma resistência: não gosto, sinto-me desconfortável. São livros que sinto que já não são meus."

Manuel António Pina, 2011
A notícia apanhou-me desprevenida. E nestes momentos, não temos muito para dizer. Em jeito de tributo, deixo um poema e um documentário poético:

Completas

A meu favor tenho o teu olhar 
testemunhando por mim 
perante juízes terríveis: 
a morte, os amigos, os inimigos. 

E aqueles que me assaltam
à noite na solidão do quarto
refugiam-se em fundos sítios dentro de mim
quando de manhã o teu olhar ilumina o quarto.

Protege-me com ele, com o teu olhar,
dos demónios da noite e das aflições do dia,
fala em voz alta, não deixes que adormeça,
afasta de mim o pecado da infelicidade.

Manuel António Pina, Algo Parecido Com Isto, da Mesma 
Substância,
Afrontamento, 2011






"Vim aos 17 anos. Nasci no Sabugal, mas costumo dizer que me nasci a mim mesmo no Porto. Os meus amigos mais antigos são do Porto, as minhas memórias, grande parte das minhas memórias – e nós somos feitos de memórias – são do Porto. É uma cidade onde me sinto muito confortável. Há roupas que nos ficam muito largas e outras que ficam apertadas demais. O Porto assenta-me perfeitamente. Provavelmente é aqui que vou morrer e hei-de ficar a fazer parte da cidade fisicamente."

Manuel António Pina, 2011

G-S

Fragmentos Culturais

19.10.2012
Copyright © 2012-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®

Licença Creative Commons

Referências:

Citações | Porto24


Friday, October 12, 2012

Prémios Literários 2012




Nobel Academy

E hoje foi o dia da atribuído do Prémio Nobel da Literatura 2012. Mais uma vez, surpreendente. Não foi o caso de Mario Vargas Llosa (2010). Mas, depois de Herta Muller (2009), temos então Mo Yan (China): 

"who with hallucinatory realism merges folk tales, history and the contemporary".



Mo Yan (2009)

Mo Yan, conhecido desde 2004 como o 'Gabriel Garcia Márquez chinês', fazia parte da lista dos possíveis laureados. Mas o favorito era sem dúvida Haruki Murakami, um autor que adoro ler, e de quem já  falei em Livros em atenta sugestão. A sua última obra 1Q84 (saga em três volumes) continua a ser um sucesso mundial.




Mas voltemos a Mo Yan. Sua fonte de inspiração? A sua própria vida, da pobre aldeia de Shandong aos 'faubourgs' de Pequim, bem como as recordações de seu avô, o que lhe permitiu escrever a grande saga chinesa do século XX.

Em Portugal, só um livro está traduzido "Grandes seios, largas ancas" (Ulisseia). Não se encontra, porém, nas livrarias (esgotado). É em França que está mais divulgado, sendo publicado pelas edições Seuil.


MO Yan, Beaux seins belles fesses
2004

Publicado na China em 1995, foi de imediato censurado, o que não impediu de vender 200 000 exemplares, sem contar com as cópias pirateadas e a publicação  do livro online.

O escritor disse sentir-se 'feliz' pelo seu Nobel de Literatura e prometeu 'empenhar-se na sua 'escrita'. 

"Je veux m'investir encore pour remercier tout le monde"

Mo Yan, agence Nouvelles de Chine

Um artigo muito completo, com particularidades interessantes poderá ser lido no Le Point aqui

Também esta semana, dia 9 Outubro, foram revelados os Prémios da Literatura da União Europeia 2012



"Com este prémio anual, que já vai na quarta edição, a UE pretende apoiar os autores europeus. Mas a UE também apoia os seus autores de outras formas, nomeadamente investindo 3 milhões de euros por ano na tradução de algumas das melhores obras literárias europeias com vista a torná-las mais acessíveis aos leitores e a divulgá-las junto de um público mais lato."

Foi com muita alegria que vi o nome de um escritor português entre os doze vencedores da edição de 2012:


Quetzal 
Afonso Cruz (Portugal) pela obra A Boneca de Kokoschka, uma história sobre a amizade e a identidade.
"O pintor Oskar Kokoschka estava tão apaixonado por Alma Mahler que, quando a relação acabou, mandou construir uma boneca, de tamanho real, com todos os pormenores da sua amada. A carta à fabricante de marionetas, que era acompanhada de vários desenhos com indicações para o seu fabrico, incluía quais as rugas da pele que ele achava imprescindíveis. Kokoschka, longe de esconder a sua paixão, passeava a boneca pela cidade e levava-a à ópera. Mas um dia, farto dela, partiu-lhe uma garrafa de vinho tinto na cabeça e a boneca foi para o lixo. Foi a partir daí que ela se tornou fundamental para o destino de várias pessoas que sobreviveram às quatro mil toneladas de bombas que caíram em Dresden durante a Segunda Guerra Mundial."
blogue do autor

Este não é o primeiro prémio atribuído ao escritor. As obras “Enciclopédia da Estória Universal”, “Os Livros Que Devoraram o Meu Pai” e “A Contradição Humana” também foram reconhecidas por outras distinções literárias. Para além de escritor, Afonso Cruz é ilustrador e músico.

Eis-me então de volta a este espaço, depois de algum distanciamento que se prendeu com a vida para além destas páginas. E logo com o tema que me apaixona - Livros.

G-S

Fragmentos Culturais
11.10.2012
Copyright © 2012-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®

Licença Creative Commons

Referências | References:
The Nobe Prize in Litterature 2012
Mo Yan, l'homme qui ne devait pas parler

Europa recompensa o talento literário

Afonso Cruz | Livro: A Boneca de Kokoschka