Sunday, June 19, 2011

Philip Glass na Casa da Musica



Philip Glass | Miguel Messias
Casa da Música

Foi no dia 25 Maio 2011. A sala Suggia estava cheia, até o coro foi aberto ao público, tal a dimensão do concerto. Philip Glass entrouto no palco à hora certa. Sala Suggia silenciosa, quase fervorosa.


No ano em que a Casa da Música tem por país temático, os Estados Unidos, Glass teria que ser presença obrigatória. É um dos mais famosos compositores e pianistas  do século XX.


Estudou com Ravi Shankar, também ele uma referência do século XX, o guru de muitos outros célebres músicos. George Harrison (Beatles) é um deles.

No programa, trinta anos de composição, cinco temas com direito a dois 'encore' que foram interpretados sem interrupção. Apenas breves introduções do pianista. 

Glass tocou Six Études (1994-1999), Mad Rush (1980), Metamorphoses (1989), Dreaming Awake (2006), Wichita Vortex Sutra (1990). Voltou para dois encore previamente anunciados.


Philip Glass | Miguel Messias
Casa da Música

Audiência rendida durante cerca de hora e meia num ambiente intimista, apesar da dimensão do auditório. Sonoridades repetitivas, minimalistas, que me remeteram alguma vezes para Bela Bartok - um dos contemporâneos ditos eruditos - e rasgos discretos que apelaram à emocionalidade dos que apreciam a música no seu estado mais puro. Um todo contrastante sempre belíssimo. 


"Mad Rush" foi talvez o momento mais alto. Philip Glass levou o público a aplaudir de pé  com intenso apreço. 


Outro momento forte. A última peça do programa, quando Philip Glass interpretou "Wichita Vortex Sutra".  Das colunas, uma gravação com a voz de Allen Ginsberg a recitar o poema com o mesmo título - uma reflexão anti-guerra dos anos 60 - musicado ao vivo pelas mãos Philip Glass, num encadeamento perfeito entre palavra e som. 


Para quem esteve no coro como eu, um momento difícil! O som das palavras rodava a sala e chegava distorcido devido à barreira de vidro, suponho. Apenas se captaram algumas palavras soltas numa amálgama de sons. 


Uma falha grave, dado que a Casa da Música, ao abrir o coro, deveria ter testado o som e prevenido tal distorção e impossibilidade de se captar o todo em excelentes condições acústicas.


Mesmo assim, a noite foi esplendorosa na simplicidade de um grande concerto. Ùnico. O encore só prolongou o que todos sentiram. A viagem pelo piano conduizida por Philip Glass foi profundamente recompensadora.

A sala e coro aplaudiram de pé o talento do compositor minimalista que, em gestos simples agradeceu, não esquecendo nunca de se virar para o público que esteve no coro.





Como curiosidade, Philip Glass é o compsitor de bandas sonoras de filmes inesquecíveis, como As Horas ou O Ilusionista, entre outros. 

G-S

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19.06.2011
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Créditos: video RTP | 26.05.2011

Monday, June 13, 2011

123º Aniversário de Fernando Pessoa






Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.


Álvaro de Campos, Poesia, 67, p. 305




Google Doodle 123º aniversário de Fernando Pessoa
doodler: Sophia Foster-Dimino


No dia do seu 123º aniversário, Google não esquece de lhe dedicar um Doodle. A Casa Pessoa propõe-se comemorar o aniversário do poeta com visitas guiadas, exposições, oficinas criativas para crianças, lanche na Biblioteca e um concerto com  Mariano Deidda.






Deixo o vídeo sobre Fernando Pessoa, da série Grandes Portugueses (2008). Não leio Pessoa duas vezes por ano. Pessoa e seus heterónimos fazem parte dos meus fragmentos de leitura constantes.

Clara Ferreira Alves, que esteve à frente da Casa Pessoa, antes de Inês Pedrosa, é a narradora.




A tristeza juncou de pétalas de rosa
O chão do meu jardim
E a  a alma que em mim goza
A dor que passa em mim
Só ficou mais inquieta, ansiada e sequiosa
Do que nunca teve fim.(...)


Fernando Pessoa, A tristeza juncou de pétalas de rosa

in Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, 
ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005


G-S

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13.06.2011
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Créditos: video RTP

Thursday, June 9, 2011

Google doodle celebra Les Paul







E desta vez Google doodle celebra o que seria o 96º aniversário de Les Paul o pioneiro guitarrista. E como é interessante dedilhar virtualmente as cordas - as cores de Google em cada uma - ao toque do rato. Estas também podem ser accionadas por comando no teclado do computador. Não perca a experiência, mesmo que possua uma guitarra.



Les Paul| Reuters

Lester William Polsfuss, musicalmente conhecido como Les Paul, músico norte-americano co-criador com Ted McCarty da famosa guitarra Gibson.

Les Paul é considerado um dos pais do rock 'n' roll pelo seu trabalho no desenvolvimento da guitarra eléctrica, tal como a conhecemos hoje em dia. 

O músico foi também pioneiro na utilização de várias técnicas para a criação de efeitos sonoros de guitarra, bem como na arte de lidar com o instrumento de seis cordas.
A Gibson tornou-se uma das mais icónicas guitarras eléctricas da história do rock e da música em geral, sendo um dos instrumentos de eleição de estrelas como Slash, Jimmy Page, Pete Townshend, Peter Frampton, Gary Moore (a quem dediquei aqui um post), Led Zeppelin, Ace Frehley, Billie Joe Armstrong, Zakk Wilde, Eric Clapton, Keith Richards (Rolling Stones). A lista é interminável!

Deixo-vos Les Paul num tema que muito admiro...




Les Paul é também admirado por muitos outros consagrados guitarristas!  Slash (Ex Guns N’Roses), The Edge (U2) ou Jeff Beck, este último nomeado nos Grammy Awards 2010.


"...I’ve copied more licks from Les Paul than I’d like to admit."

Jeff Beck


G-S

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09.06.2011
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Referências:

Les Paul Online

TVI24 Música

Friday, June 3, 2011

Leonard Cohen : Prémio Príncipe das Astúrias 2011






Leonard Cohen, músico e poeta canadiano, é o vencedor do Prémio Príncipe das Astúrias 2011 na área da Literatura.

Leonard Cohen, 76 anos, é considerado um dos mais importantes nomes da música popular do século XX. Viu agora reconhecido o seu trabalho enquanto poeta e romancista, muito para lá da composição musical.

Nascido em Montreal a 21 de setembro de 1934, Leonard Cohen é autor de músicas que versam sobre amor, espiritualidade, religião, numa tom de melancolia, algum cinismo e provocação.






Mas ainda antes de ser conhecido como escritor de canções, Leonard Cohen tinha já ambições literárias. E este vídeo comprova-o, se não leu nenhum dos livros editados em Portugal.




O Jogo Favorito/ Leonard Cohen
edições Alfaguara,2011

Duas conclusões, depois desta nomeação! A distinção reconhece os feitos daquele que é descrito sobretudo como músico mas que já escrevia e tinha ambições literárias muito antes de editar discos e fazer concertos.


A Academia Nobel já se sentirá mais à vontade para lhe entregar um Nobel de Literatura. Afinal Bob Dylan está a ser  debatido no Reino Unido como possível autor a ser estudado na cadeira de Poesia em Universidades inglesas! E os Beatles foram já tema de um doutoramento.  

No entanto, ainda ontem se debatia se "este prémio não deveria ter sido entregue a Ian McEwan, Alice Munro ou ao português António Lobo Antunes?"

O júri concluiu que Cohen era merecedor do reconhecimento "pelos seus poemas e canções, pela exploração que faz, com profundidade e beleza, das grandes questões que acompanham a humanidade". 

Factos indesmentíveis! E não é possível a sua comparação com os outros nomeados! Ponto final. É reconhecer o seu mérito, voltar a ler a sua poesia e ouvir a sua música. 




Leonard Cohen

O júri composto por escritores como Andrés Amorós, Juan José Armas Marcelo, Fernando Sánchez  Dragó y Berta Pián e pela directora do Instituto Cervantes, Cármen Cafarell iniciou as deliberações na passada terça-feira, dia 31 Maio, em Oviedo
O galardão é o reconhecimento a personalidades cujo trabalho criativo  ou de investigação represente uma contribuição relevante para a cultura  universal nos campos da Literatura ou da Linguística. 


E não podemos deixar de concluir que a cultura evoluiu ! E ficar agarrados aos pragmatismos pela qual se regia  a cultura até há bem pouco anos, é impensável.


Nada tenho contra! Reconheço e aceito com aprazível responsabilidade que nada é estático e que a evolução das sociedades actuais levam a uma socialização da cultura que evoluiu pela mediatização. 


Prémio Principe das Astúrias
Os Prémios Príncipe das Astúrias, de atribuição anual, contemplam as  seguintes áreas: Comunicação e Humanidades, Ciências Sociais, Artes, Letras, Investigação Científica e Técnica, Cooperação Internacional, Concórdia e Desportos. 


Poderão ver aqui os outros nomeados. Congratulo-me com a nomeação de Riccardo Muti na Artes:


"Reconocido como uno de los mejores directores de música clásica del mundo, Riccardo Muti ha dirigido con pasión y virtuosismo a las más prestigiosas orquestas, dejando una profunda huella con sus interpretaciones, que han alcanzado una dimensión universal."


E com Howard Gardner  no campo das Ciências Sociais:


"Reconocido internacionalmente por su teoría de las inteligencias múltiples, que ha revelado las diversas manifestaciones del intelecto humano, sus investigaciones resultan decisivas para la evolución del modelo educativo."


O prémio de Comunicação e Humanidades foi para a Royal Society e o de Investigação Técnica e Cientifica para Joseph Altman, Arturo Alvarez-Buylla e Giacomo Rizolatti.


Quanto aos restantes galardões serão decididos mais tarde.
A entrega dos prémios será feita no Outono, na cidade de Oviedo, capital do Principado de Asturias, num acto solene presidido  pelo príncipe Filipe de Espanha.






Em palco, Leonard Cohen faz cair o silêncio entre a assistência enquanto vai dizendo/cantando seus poemas. E todos o ouvimos num profundo recolhimento pela beleza das palavras que reflectem a beleza e o amor.

Não é difícil de entender! A academia dos Prémios Príncipe das Astúrias apenas lhe reconheceu o mérito! Estamos no século XXI.


G-S

Fragmentos Culturais

03.06.2011
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Créditos: vídeo SIC Notícias

Referências:

Fundación Príncipe de Asturias