Saturday, April 25, 2009

Biblioteca Digital Mundial - Unesco





A Biblioteca Digital Mundial abriu as portas em 21 de Abril 2009.

A website offering free access to rare manuscripts, books, films and maps from around the world is being launched by the UN's cultural agency.

BBC

A UNESCO inaugurou a Biblioteca Digital Mundial, um sítio web onde serão disponibilizadas centenas de recursos culturais raros de todo o mundo.
A iniciativa da UNESCO reúne on-line arquivos de cerca de 30 museus e bibliotecas de todo o mundo, entre os quais a Biblioteca de Alexandria.
The World Digital Library was first mooted in 2005 by James Billington, librarian at the US Library of Congress, the world's biggest library.

BBC
Uma grande parte dos artigos da nova Biblioteca Digital Mundial que podem ser visualizados gratuitamente no site, desde filmes a manuscritos e quadros, é originária de colecções provenientes do universo Ocidental, mas uma das metas do projecto é alargar os itens a outras áreas geográficas.
De entre os artigos que podem ser consultados, encontram-se um romance japonês O Conde Genji do século XI e um dos primeiros mapas onde surge uma referência ao termo América, de 1507 feito pelo monge alemão Martin Waldseemueller, avança a BBC.
Disponível num total de sete línguas – árabe, chinês, espanhol, francês, inglês, português e russo – este novo arquivo digital vem juntar-se à Europeana, a biblioteca digital europeia criada no final de 2008 pela Comissão Europeia com documentos culturais da União Europeia.


http://www.europeana.eu/portal/index.html

Pensar a cultura


Europeana - une source d'inspiration e d'idées. Recherchez dans le patrimoine culturel de l'Europe et partagez vos découvertes.

Europeana



A Biblioteca Digital Mundial contou com o apoio de trinta e duas instituições mundiais: China, Estados Unidos, França Brasil, Grã-Bretanha. México, Japão, Rússia, Arábia Saudita, Egipto, Uganda, estes alguns dos países.

Até final do ano a Unesco desenvolve uma campanha para elevar este número para sessenta.
Unesco says the World Digital Library will help to promote curiosity and understanding across cultures.

BBC


William Blake - O Livro de Urizene

http://www.wdl.org/pt/item/201/


Blake foi um místico religioso que se afastou do ensino tradicional das igrejas Cristãs de modo a inventar suas próprias doutrinas e símbolos, que ele chamou de mitologia clássica e celta e muitas outras fontes.

Esta edição do
O Livro de Urizen da Colecção Rosenwald da Biblioteca do Congresso introduz uma figura, Urizen, que representou para Blake moralidade e legalidade.

BMD

Estes dois documentos culturais são de valor inestimável para quem tem o gosto de aprender, sempre! E que sensação abrir uma página digital e poder aceder a informações que de outro modo não se teria nunca a possibilidade de fazer! Quando penso nos milhões de pessoas, em todo o mundo, que não têm este privilégio porque não lhes foi dado o direito de ler, fico confusa!

Uma injustiça moral e social tremenda que documentos como estes não conseguem colmatar...

By making cultural treasures accessible to a huge audience, Unesco also hopes to reduce what it sees as a digital divide between rich and poor.

BBC


G-S

Fragmentos Culturais 

26.04.2009


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Saturday, April 18, 2009

Borges repatriado





Jorge Luís Borges


"Aguardo la muerte con esperanza (...) tengo miedo de ser inmortal".

Jorge Luís Borges, 1978


Depois de Edgar Poe, também Jorge Luís Borges sofre da ausência da palavra para expressar sua vontade final, quanto ao descanso de seu corpo!

A iniciativa de Lenz, apoiada pelo presidente da Sociedade Argentina de Escritores, e coleccionador da obra borgiana, Alejandro Váccaro - que mantém um aberto confronto com a viúva de Borges desde há alguns anos -, sacudiu o mundo cultural argentino e provocou um intenso reboliço nos meios de comunicação.




José Luis Borges
Retrato: Alejandro Cabeza

Isto vem a propósito de uma notícia saída no jornal El Pais em 28 de Janeiro de 2009:

"Una diputada oficialista presentará un proyecto de ley para repatriar a Argentina los restos del escritor Jorge Luis Borges desde Ginebra, lo que ha desatado posiciones a favor y en contra, informaron hoy medios locales. Se trata de una iniciativa de la legisladora peronista María Beatriz Lenz, que planea ponerla a consideración del Parlamento a finales de este mes con el objetivo de que los restos de Borges sean repatriados en agosto próximo, cuando se cumplan 110 años del nacimiento del autor."

Existe efectivamente um curto filme datado de 1969, onde o autor de El Aleph afirma a sua vontade de ser enterrado junto dos seus, a uns metros de Evita Perón.

Trata-se de um documentário da televisão pública francesa, realizado pelo franco-espanhol José María Berzosa y por André Camp

Tem por título Le passé qui ne menace pas e está depositado nos arquivos do Instituto Nacional de Audiovisual de França. 

Posteriormente, Borges naturalizou-se suiço, e na Suiça viveu até à sua morte. A viúva contesta esta posição e não admite que Borges seja repatriado.

Maria Kodama, declarou a uma estação de rádio porteña que, "en una democracia, ninguna persona de ningún partido puede disponer o intentar disponer del cuerpo de una persona, que es lo más sagrado, frente a otra que ha dado y sigue dando su vida por amor".




créditos: www.allposters.com


Não interessa se Borges ou Poe nasceram num país ou numa cidade e morreram em outro país ou cidade! Se, pela sua obra e grande engenho, passaram a ser cidadãos universais, há que respeitar o que o destino lhes reservou e aqueles que dão voz às suas últimas vontades.

Podem até os próprios deixar, como legado, a sua vontade escrita. Respeite-se!


Segundo li, existe, a ser verdade, este argumento que Maria Kodama apresenta:


La carta dirigida por Jorge Luis Borges a la Agencia Efe en 1986, unas semanas antes de su muerte, es una prueba más de su deseo de descansar en Ginebra. (...)



Disputar os restos mortais de um ser, um poeta, um escritor, só para ficar com a fama de possuir mais uma referência cultural, é obsceno, um atentado moral!

Os mortos são sagrados.


"El poder simbólico es el de la obra, no el del cuerpo de Borges"

María Kodama


G-S

Fragmentos literários


18.04.2009

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Thursday, April 9, 2009

Meditação de Páscoa




Santa Maria del Sufraggio
Laura E. Roberto
http://www.i-italy.org/



Filippo Monteforte | AFP | Getty Images




Abruzzo | Italy
Christophe Simon|AFP|Getty Images
http://boufosnews.files.wordpress.com/


Dobram sinos no céu da tua boca, quando rezas

de joelhos na cadeira que um velho esqueceu;

e do altar descem fios de sangue, santas tristezas,

(...)


Nuno Júdice, Ecce homo, Cartografia de Emoções,
Publicações Dom Quixote, 2001

 
G-S

Fragmentos em tons de mágoa, numa Páscoa desigual para Aquila

08.04.2009
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Wednesday, April 1, 2009

Maurice Jarre 1924-2009: tributo





Maurice Jarre


Urso Honorário de Ouro - Prémio Carreira - Festival de Berlim 2009
créditos: Getty Images / WireImages
http://www.underscores.fr/ 

"Without Maurice Jarre, who died last week at 84, who would David Lean's Lawrence of Arabia be? Peter O'Toole's deliquescent eyes, shimmering in the desert light, would have been little more than a silent mirage. Jarre's 1962 film score, which won an Academy Award, is a reminder that in the movies there is no character and no landscape unless there is a musical soundscape too."

Dennis McLellan, The New York Times

O compositor francês Maurice Jarre, de 84 anos, morreu hoje de madrugada em Los Angeles, no Estado norte-americano da Califórnia, anunciou o agente do seu filho, Jean-Michel Jarre, confirmando uma informação do site Purepeople.


A carreira de Maurice Jarre, nascido em 1924 em Lyon, no sudeste de França, começou nos anos 1950, com a composição de música para filmes.




Lawrence of Arabia, 1962


O êxito da banda sonora original de Lawrence of Arabia, em 1962, içou-o ao pódio de Hollywood e cimentou a sua colaboração com o realizador britânico David Lean, com quem formou igualmente equipa em Doutor Jivago (1965) e Passage to India (1984).

Pela música destes três filmes, Maurice Jarre foi recompensado com um Oscar da Academia Cinematográfica norte-americana.



"The music must give the film an added dimension. It must say things not seen on the screen or heard in the dialogue. This can be done without destroying the dramatic balance. It is not easy, of course, and we do not always succeed. But it is our goal."

Jarre, The Times, 1961

É difícil escolher entre filmes intemporais como estes! Todos me fascinaram!





Doctor Zhivago, 1965

Doctor Zhivago, adaptação do romance de Boris Pasternak, Prémio Nobel 1958 e Lawrence da Arábia, baseado na vida do T.E. Lawrence, um militar inglês que ficou conhecido pela Revolta Árabe, são clássicos imprescindíveis! Pela história, pela fotografia, pelas interpretações, pelas bandas sonoras de Maurice Jarre.


Passagem para a Índia, adaptação da obra de E.M.Forster é de uma beleza absoluta, entre rotas impossíveis de olvidar - O Rio Ganges, os Montes Molibar, os Himalais - para chegar à Índia. 




Passage to India, 1984


Adaptações ao cinema de grandes obras, diferentes, mas não dispares olhares.

Talvez o mais marcante tenha sido, para mim, Lauwrence of Arabia. Abriu fronteiras para paisagens míticas. O brilho inédito da aventura no deserto. O magnetismo que se desprendia da personagem interpretada por Peter O'Toole. Paisagens, banda sonora. 

Embora Doutor Jivago me deixe também muito balançada. Paisagens, banda sonora, interpretações fabulosas de Julie Christie, Omar Sharif ou mesmo Geraldine Chaplin.





Ghost, 1990

Mas aquele que mais me tocou foi sem dúvida Ghost (1990). Sentires espirituais que a banda sonora valorizava com aquele toque sobrenatural. Maurice Jarre obteve com ela uma nomeação para "Melhor Banda Sonora" desse ano.



Maurice Jarre
European Film Awards 2005

Marcus Brandt / Associated Press
http://www.latimes.com/

Jarre participou em mais de 150 bandas sonoras de filmes, de grandes realizadores como John Frankenheimer, Alfred Hitchcock, John Huston, Luchino Visconti e Peter Weir.

Impossível classificar o seu trabalho que é extraordinário ou tentar seleccionar uma entre tantas tão maravilhosas. Bandas sonoras de íncrivel beleza melódica, inovadoras, gloriosas, inspiradoras! 




Maurice Jarre 1924-2009

Foi precursor na introdução de instrumentos étnicos, sobretudo a partir de Lawrence da Arábia.

"From the mystical overtones of "Ghost" to the primitive sounds of "Mad Max Beyond Thunderdome," to the Russian balalaikas in "Doctor Zhivago," composer Maurice Jarre always seemed to find the right signature for every film he scored. And unlike so many of today's thundering but essentially interchangeable big-orchestra-plus-electronics scores, the voice of a Maurice Jarre film was always uniquely his own."

Jon Burlingame





"One could say my life itself has been one long soundtrack. Music was my life, music brought me to life, and music is how I will be remembered long after I leave this life. When I die there will be a final waltz playing in my head and that only I can hear."

Maurice Jarre


G-S

Fragmentos Culturais

01.04.2009
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